postado por Rafaella Silveira no dia 09.02 arquivado em #beyoncé

“You know you that bitch when you cause all this conversation / Você sabe que é essa vadia quando causa toda essa conversa,” canta Beyoncé em sua nova faixa, “Formation”, lançada sábado no Tidal. Se essas palavras são verdadeiras, então Beyoncé é muito “vadia” mesmo, no melhor sentido possível, é claro. No vídeo, Beyoncé chega comprometendo-se com estereótipos, injustiças sociais, sua herança e todos os seus haters.

“É uma meditação em expansão sobre a identidade negra, a validade e transitoriedade das rotas e histórias de uma pessoa, e a interação esmagadora entre poder e impotência, agentes e vitimização,” disse Kevin Fallon ao Daily Beast.

Seja lá qual fosse o perfil anterior de Beyoncé em relação ao reino do ativismo social, ela destruiu tudo com esse vídeo. A seguir estão cinco motivos provando que a vencedora dos 20 GRAMMYs não está apenas acordada, mas mantendo-se atenta e vigilante, se recusando a deixar qualquer um pisar em sua cultura.

1. BLACK LIVES MATTER



A primeira coisa que vemos em “Formation” é Beyoncé agachada no teto dum carro de polícia de Nova Orleans, flutuando nas enchentes da cidade pós-Katrina. Então, um fluxo de filmagens sobre a situação de Nova Orleans: um homem com grills brilhantes, as costas de um policial de jaqueta, os bairros, um pregador negro, casas inundadas. Nas imagens de abertura, Beyoncé nos coloca no meio da comunidade e lança a polícia como uma presença periférica — não é parte dela, mas está sempre por perto.

Avançando para as cenas finais: uma criança, vestida com um capuz preto, dança em frente a uma linha de policiais. Quando acaba, ela estende seus braços e a audiência — pensando, talvez, sobre Eric Garner, Trayvon Martin e Tamir Rice — se prepara para o momento em que os policiais irão apontar suas armas. Mas ao invés disso, todos erguem suas mãos para cima e a câmera nos mostra a mensagem “Stop Shooting Us / Parem de atirar em nós” de spray em uma parede de tijolo.

E em seguida, Beyoncé afunda um carro de polícia, o mesmo em que ela estava andando numa cena de abertura. Ela encontra-se no teto enquanto o veículo afunda, parecendo mais com uma vencedora do que vítima de afogamento do carro. A viatura da polícia não é párea para a força de Beyoncé. Em um conjunto, o vídeo é uma declaração — uma em que nenhuma menção explícita do movimento Black Lives Matter (que ela e o marido, Jay Z, apoiam) é feita porque não é necessário.

“Formation” mostra mais do que diz. Beyoncé toca usando imagens, mas situa o vídeo dentro de um argumento maior: Mais do que apenas se importar, a vida negra deve ser celebrada.

2. EMPODERANDO A HERANÇA NEGRA


“Não é apenas sobre a brutalidade da polícia — é sobre a totalidade da experiência negra na América em 2016, que inclui padrões de beleza, (des)empoderamento, cultura e partes compartilhadas de nossa história,” declarou Jenna Wortham para o The New York Times.

Nele, Beyoncé revela de onde veio.

“My daddy Alabama, Momma Louisiana
You mix that negro with that Creole make a Texa bama
I like my baby hair, with baby hair and afros
I like my negro nose with Jackson Five nostrils.
Earned all this money but they never take the country out me
I got hot sauce in my bag, swag.

Meu pai Alabama, mãe Louisiana
Você mistura esse negro com aquela crioula faz uma texana
Eu gosto do cabelo do meu bebê, com baby hair e afros
Eu gosto do nariz do meu negro com narinas Jackson Five
Ganhei todo esse dinheiro mas eles nunca tiraram o country de mim
Eu tenho molho picante na minha bolsa, swag.”

E como Wortham apontou, essas letras representam um movimento ousado.

“Chamar a si mesmo de um bama é um recente movimento de poder, especialmente se você é do Sul. Esse foi o insulto mais letal,” concluiu ela.

Mas Beyoncé faz com que seja apenas outra parte de sua incrível potência. Essa sou eu, este é o lugar de onde venho.

“I twirl on them haters
Albino alligators.

Eu giro sobre os haters
Jacarés albinos.”

“Formation” puxa cenários de vários períodos da história do sul dos EUA e acontecem em torno da imagem dela: Aqui está Blue Ivy, cabelo natural, sacudindo os ombros orgulhosamente para as palavras de sua mãe. Aqui está Beyoncé com seu círculo de senhoras elegantes, sentadas na sala de estar que é provavelmente de uma fazenda, possuindo cada polegada daquele espaço.

Aqui está ela novamente, na frente de seus homens, levantando dois dedos do meio enquanto ela canta, “When he fuck me good I take his ass to Red Lobster, ’cause I slay / Quando ele me fode gostoso eu o levo até o Red Lobster, porque eu arraso,” porque ela é totalmente ela mesma, o que nos leva a…

3. O MITO ILLUMINATI VS. REALIDADE FEMINISTA



Em “Formation”, Beyoncé descarta na lata os rumores de que ela e seu marido Jay-Z são membros da organização sombria de elite; os Illuminati.

“Y’all haters corny with that Illuminati mess
Paparazzi, catch my fly, and my cocky fresh
I’m so reckless when I rock my Givenchy dress.

Todos vocês haters passam vergonha com essa besteira de Illuminati
Paparazzi, capture meu voo, e minha arrogância fresca
Eu sou tão imprudente quando balaço meu vestido Givenchy.”

Beyoncé acumulou uma riqueza impressionante. Ela está erguendo seu próprio império. Mas ela não alcançou seu sucesso através de controle governamental ou culto secreto. Ela fez isso por conta própria, que é o que torna esta canção tão fantástica: ela destrói o conceito sexista/machista de que mulheres precisam de um “velho rico”.

“When he fuck me good I take his ass to Red Lobster, cause I slay
If he hit it right, I might take him on a flight in my chopper, ’cause I slay
Drop him off at the mall, let him buy some J’s, let him shop up, ’cause I slay
I might get your song played on the radio station, ’cause I slay
I might get your song played on the radio station, ’cause I slay
You might be a black Bill Gates in the making, ’cause I slay
I just might be a black Bill Gates in the making, ’cause I slay.

Quando ele me fode gostoso eu levo ele até o Red Lobster, porque eu arraso
Se ele fizer direito, eu posso leva-lo em um voo no meu helicóptero, porque eu arraso
Deixa-lo no shopping, deixar ele comprar alguns J’s, deixar ele aparecer
Posso fazer sua canção tocar na estação de rádio, porque eu arraso
Posso fazer sua canção tocar na estação de rádio, porque eu arraso
Você pode ser um Bill Gates negro tomando decisões, porque eu arraso
Eu devo apenas ser um Bill Gates negro tomando decisões, porque eu arraso.”

Ela será a única entregando dinheiro para seu homem para que ele possa ir comprar alguma coisa. Beyoncé é a única que pode lançar a carreira dele porque ela possui as ondas de rádio. Ela é a única com carreira indomável. Ela é a única que chama as mulheres para “entrar em formação” e arrasar com ela. Os homens neste vídeo são como estátuas silenciosas atrás dela que piscam nas cenas por alguns segundos.

4. ELA ARRASA (SLAY), EM TODOS OS SENTIDOS DA PALAVRA



Considerando slay, que é uma palavra muito citada em “Formation” e possui diversos significados, vamos mencionar o que a Times apontou que há muito o que acrescentar nesta conversa…

“É violenta, obviamente. Mas em um contexto gay, é também triunfante: Ele arrasou / slayed. Estou movido pelo uso que ela faz dessa palavra, ela sabe como usar música bounce para funcionar nos dois sentidos.”

Beyoncé respira ainda mais fogo em “Formation” por cobrir a letra com uma linguagem que diz algo significativo em cada um de seus contextos. O que não é nenhuma novidade, já que ela está sempre arrasando.

5. KATRINA



Provavelmente o tema mais óbvio em “Formation” é inundação: Os espectadores estão em Louisiana a partir dos primeiros poucos segundos, quando vemos o carro da polícia flutuando. A referência ao furacão Katrina é clara. Mas é outro momento de ativismo. Em 2005, Beyoncé e Kelly Rowland com a fundação Survivor começaram a oferecer ajuda aos refugiados do Katrina em Houston – Texas.

Em 2007, elas construiram o Knowles-Rowland Temenos Place Apartments, também em Houston, para fornecer lar aos desabrigados pelo furacão e para a população em risco. Segundo o Huffington Post, ela doou cerca de US$ 7 milhões para o projeto em setembro de 2014. Em “Formation”, Beyoncé lembra quem está assistindo de que a destruição deixada pelo Katrina não foi completamente limpa; que muito do sul ainda está tentando se reerguer sob o peso de reconstruir cidades inteiras e inúmeras vidas. Talvez não seja um chamado para ação, mas ela certamente está chamando nossa atenção para o dano causado.


Deixe seu comentário
Beyoncé Brasil Todos os direitos reservados