postado por Wilson Duarte no dia 04.06 arquivado em #beyoncé

Se Beyoncé já era foda, agora, depois do Lemonade, só firmou sua relevância no mundo.

Após a apresentação no Super Bowl 50, em poucos minutos ela conseguiu criticar e tornar público para o mundo a violência policial contra os negros, a discriminação da mulher e ausência dela como protagonista. Ela assumiu um discurso político e deu um novo significado à sua carreira.

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Os conservadores americanos julgaram a proposta de criticar a polícia como imoral e que tal posição da cantora, poderia acarretar uma retaliação. Um mês depois, Lemonade lançado exclusivamente no TIDAL, passou a ser tratado como um trabalho de arte. Beyoncé é cantora, mas não foi a música propriamente dita que ela colocou à venda.

Antigamente Beyoncé tinha que investir em single, preparar uma grande divulgação para que no final, o campo estivesse preparado para receber seu trabalho completo e vencer por 7×1. Beyoncé entra em campo já sabendo que vai vencer, fazendo com que as pessoas enxerguem seu trabalho de outra forma. Ela não precisa de hit, ela é o hit.

Ela conseguiu adaptar sua história explorando a vida de milhares de mulheres negras. Não é um álbum distante da gente. Pegando todos os processos do álbum visual, padrão de beleza, por exemplo, o cabelo liso; passamos a ser representados com nossos cabelos afros, induzidos a usar química desde criança para deixar o cabelo “bom” de acordo com a sociedade comandada por brancos pensa.

Em Lemonade, suas referências vão desde Billie Holliday, Nina Simone e Malcom X, às mães de jovens como Trayvon Martin e Michael Brown, assassinados pela polícia estadunidense em Ferguson.

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A descrição do álbum no TIDAL é: um projeto conceitual baseado na jornada de autoconhecimento e cura de todas as mulheres. A interpretação mais coerente é aquela em que, mesmo com todos os problemas e obstáculos de sua vida, os limões que lhe foram servidos até aqui, Beyoncé teve a capacidade de obter algo positivo, algo que fosse bom e pudesse compartilhar com os outros.

timeBEYONCEDepois do lançamento, a internet foi tomada por comentários a favor e contra o álbum. Queen B realmente foi traída? Quem é a Becky? Ela sofre preconceito sendo a cantora mais bem paga e influente no mundo de acordo com a revista TIME? Por que só agora esse posicionamento?

Engana-se você ao achar que ela só tenha bordado esse tema agora. Se você pensa dessa forma, certamente não é fã e não conhece nem 10% do trabalho dela como mulher, cantora, empresária, mãe.

Ninguém quer ouvir e sentir as dores dos outros, ainda mais quando é sobre racismo. Cadê o espaço para o artista divulgar/denunciar o que passa todos os dias? Um exemplo bem claro disso é a cantora Ludmilla, a jornalista Maria Júlia Coutinho (Maju), as atrizes Sheron Menezzes e Taís Araújo que sofrem ataques nas mídias sociais simplesmente por serem negras.

Beyoncé não se aproxima da gente pela classe, mas sim pela raça. Por mais que seja rica, ela é tão humana quanto a gente. Aqui no Brasil, ainda mais na periferia, já acordamos com medo, pois saímos de casa logo pela manhã para estudar ou trabalhar, com a possibilidade de não voltar vivo.

Lemonade se firma uma importante peça de representatividade para os negros. As reflexões que o álbum traz, bate de frente com tudo o que a gente vive. É uma discussão tão importante que é tema de debates e cursos em universidades dos Estados Unidos.

A traição que Beyoncé sofre e tantas outras mulheres, não têm seu marido JAY Z como protagonista. O desleal nessa história, são os homens que tomam poder e ditam regras no mundo. Mas Queen B veio para dizer: garotas, quero ser o referencial, confiem e mim e vamos para a guerra. Vamos buscar informação!

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Com um álbum que ultrapassa o tradicional R&B e passeia por rock, reggae e country, Beyoncé quer que sua mensagem seja ouvida. Sabemos que ela está inserida em uma lógica capitalista, mas isso não invalida seu discurso. Por muito tempo, a mídia e os fãs a trataram como se ela não fosse negra. Essa afirmação dela como negra e o enfoque no tema, fazem com que as pessoas reflitam.

Temos a liberdade dentro de nós. Somos livres teoricamente. Beyoncé luta pela vida, mesmo a polícia, os políticos conservadores ou os burgueses brancos querendo boicotá-la. E não vai ser você, nem ninguém que irá calar a voz da artista mais influente do planeta.


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